GOSTINHO DE INFÂNCIA É COISA SÉRIA!!
- Lucas Ohara
- 14 de jul de 2023
- 2 min de leitura
Estar no litoral norte de SP e tomar um sorvete de marca, tipo Kibon, Nestlé ou qualquer paleta mexicana superfaturada que tentem te vender, é um ultraje de proporções inimagináveis. Revelando um tiquinho do meu passado, eu passei metade das férias
da minha vida nas praias do município de São Sebastião. Por lá, um dos programas mais clássicos era ir até o centro da cidade passear, ir à feirinha, na livraria Satélite e tomar sorvete no ROCHA. Fundada em 1947, o Rocha é mais do que uma sorveteria tradicional, é um ícone do litoral, que desde a fundação tem conseguido manter seu charme e qualidade
de sempre.

Pra quem tomou um Rocha na infância, sabe que o sabor é inigualável (seja o clássico de coco ou dos sabores
das antigas como “Mini saia”, metade chocolate, metade creme). Ainda nesse mergulho histórico, vale a pena você saber que é daqui mesmo que surgiu
o sorvete “Rochinha” que hoje é vendido em todo o país. Isso aconteceu depois
de caminhos e opiniões em descompasso, definidos por diferentes membros
da família (e que não vem ao caso
se aprofundar).
FATO É que, ambas as casas aqui
de São Sebastião, mantiveram a alma das sorveterias tradicionais com casquinha, cascão, picolés e taças que se tomam com gosto e carregam em tudo um sabor que
só quem tomou essa “linha” de sorvete, sabe. Hoje em dia, achar uma dessas casas
em São Paulo é missão impossível. A última que me lembro era a Alaska, que ficava
no Paraíso, perto da Avenida Paulista.
Bom, como eu disse, cresci vindo aqui. Mas eu sempre tive muito viva na minha memória o quanto a Banana Split era uma pedida ousada e proibida. Minha mãe diz que não lembra se era por saber que eu não ia aguentar, se estar com meu irmão e meus amigos e a banana split ali poderia tornar a tarde ainda mais caótica. No fim das contas, eu só sei que na vida eu só tinha tomado banana split uma vez. E não foi no Rocha.
Cheguei lá com meus 31 anos nas costas e pensei:
HOJE NADA ME PARA. E assim foi. Sob palavras de desdém da minha mãe (que nada poderia fazer para me impedir), sentei com um sorriso de orelha à orelha.

“Você não vai aguentar”, disse ela, como quem repete uma memória. Mas eu não podia e nem pretendia decepcionar
o Lucas do passado. Bruna, minha fiel escudeira, sabia disso, e nem por meio segundo duvidou:
“eu acho que ele vai sim… (risos)”.
Foi uma batalha que durou bem menos do que eu esperava. Talvez porque eu não tivesse almoçado (e talvez tenha sido por isso que meu olho foi direto nela
no cardápio). A verdade é que o dia ficou marcado como a dia em que eu tomei uma banana split do Rocha, sozinho, emocionando ninguém além de mim mesmo e meu pequeno eu.
Mas o texto é sobre isso?
Sim. É só isso mesmo.
Mentira: se vier pro litoral norte de SP (na praia ou na cidade) sorvete é sempre Rocha. Estamos combinados?




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