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A BELEZA DA ANCESTRALIDADE

  • Foto do escritor: Lucas Ohara
    Lucas Ohara
  • 3 de jul. de 2023
  • 3 min de leitura

Tá… então, do nada, minha amiga linda, @_anahikari , organizou isso aqui: rolezinho na liberdade com a chef @telmashiraishi pra escolher ingredientes pro almoço do dia, no qual ela seria apenas ajudante e comensal. Quem ficaria encarregado das panelas era ninguém mais, ninguém menos que o chef uruguaio @_facundoconnio e (tremendo na base) este que vos fala. Mas o texto de hoje não será sobre a honra e experiência incrível que foi estar junto deles (e mais outras pessoas que eu tanto amo).

E sim sobre como durante esse dia delicioso, a comida foi mais do que a razão de estarmos todos ali, foi um conector de histórias, raízes e afirmação de ancestralidade. O link entre eu e Telma pode parecer previsível, mas isso em nada tira o prazer e diversão da troca.

Muito pelo contrário. Já de cara, falamos sobre as características de famílias japonesas que abrasileiraram seus cardápios:

Dos churrascos que sempre acompanham oniguiri, o tradicional bolinho de arroz japonês (e que a Telma confessou amar comer com farofa e vinagrete, coisa que serei obrigado a testar), até a feijoada, que por motivos óbvios, entrou com tudo no cardápio das famílias desde sempre.

Mas essa previsibilidade vai se adensando de um jeito que, conhecer a história de um, vira criar um paralelo com a do outro.

São semelhanças de criação, de pesos, de escolhas, de busca por se conhecer, reconhecer

e encontrar o que quer da vida. Ela me contou sobre como tudo começou com medicina

e foi clamando por criatividade até passar pelas passarelas do mundo da moda,

antes de se transformar na paixão por cozinhar.

Mais do que isso, como o caminho dentro do universo que ela escolheu foi de raça, de estudo, de experimentação, tudo

na prática e com o carro andando, especialmente no próprio restaurante dela, o @aizomerestaurante .

Telma não ficou sabendo ali, mas não imagina o quanto eu me vi em tudo o que ela disse. Até aqui, agora, escrevendo esse texto, pensando em como eu vim parar onde estou, exercendo funções e profissões das quais ninguém me diplomou para executar.

E quantas dúvidas, questionamentos e opiniões precisamos dobrar no processo…

E se entre nós o link foi previsível, com Facundo foi o contrário. A primeira coisa que vem

na cabeça quando você ouve falar de um chef Uruguaio talvez seja um assado, uma milanesa, um doce de leite… Mas não. Facu cozinha furtos do mar. E como cozinha.

E cozinha também por ancestralidade. Ele aprendeu o ofício do pai, ainda criança,

pra depois assumir as panelas do restaurante (@esmercatuy ) aos dezoito. Uma família uruguaia que criou a sua tradição entre frutos do mar, crudos, tiraditos e tudo o que

eu e Telma também herdamos do lado de cá. Daqueles jeitos que só a vida é capaz de criar, nos vimos juntos, num momento de troca tão único quanto a ancestralidade de cada um.


Eu, preparei meus guiozas que vocês já viram por aqui… mas que teve que passar pelo crivo de uma das maiores referências de cozinha japonesa no país. Diz ela que estava gostoso, ainda me deu uma dica de pimenta coreana para colocar no molho (claro que ficou melhor). O Facu deu um show, e preparou um banquete, com carpaccio de anchova, tartare

de anchova, ovos de codorna com caviar, berinjela japonesa e shitake com brie, aspargos

e quiabo grelhados… e ainda por cima, nos esbaldamos com ostras que a Telma gentilmente (fora a maestria) abriu e serviu…

Foi um dia incrível, marcado por uma conexão pra lá de especial, com pessoas que eu nunca pensei que fosse conhecer, quiçá me dar bem assim, de cara… Mas a comida, também tem dessas coisas, né?


 
 
 

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